A GERMINAÇÃO DO FEIJÃO E O PROCESSO CRIATIVO
Para
este trabalho desenvolvi um projeto que relaciona as etapas de um processo
criativo com o processo de plantação de um pé de feijão. Nesse projeto busco
fazer analogias que mostrem as etapas de desenvolvimento biológico da planta e,
de forma criativa, tentar abordar o tema em minha área de estudo.
Em
um primeiro momento, pude analisar que o processo teve início com uma
necessidade (fazer com que a semente germinasse), a partir desse momento foi
necessário realizar uma seleção de maneiras de realizar a tarefa. Minha
primeira opção foi plantar a semente do feijão no algodão, dentro de um copo.
Foi quando que comecei a analisar a planta de uma forma metafórica, tendo em
mente que aquela semente estaria sendo comparada à uma ideia.
Assim
como as ideias, a semente necessita de um ambiente favorável para seu
desenvolvimento, para dar início ao processo forrei o fundo do copo com algodão
e depositei os grãos de feijão sobre ele. Por cima da semente coloquei mais uma
camada de algodão, desta forma estaria cercando as ideias com um material
aconchegante, que fariam com que elas se sentissem confortáveis para serem
desenvolvidas. No processo criativo não basta termos um ambiente
aconchegante e estarmos cercados de conforto. O ambiente não irá nos garantir
sucesso se não regarmos a ideia todos os dias com novos pensamentos - no caso
da planta, com água. Nosso cérebro continua trabalhando, mesmo nos momentos nos
quais achamos que estamos dispersos, fazendo outras atividades. Na realidade,
esse momento de distração, se é que podemos chamá-lo assim, é crucial para a
organização dos pensamentos. Alguns autores inseriram este momento em suas
visões de processo criativo, o chamam de Incubação.
Como
momento de incubação podemos considerar uma breve pausa para tomar um café, um
passeio no parque para ver a luz do sol, entre outras atividades. Levando esse
conceito para a nossa experiência, podemos e devemos experimentar deixá-la
exposta ao sol, sabendo que o processo de fotossíntese é extremamente
necessário para o desenvolvimento das plantas. Durante a incubação no
processo criativo é quando surgem as soluções nas quais não conseguíamos pensar
antes enquanto estávamos focados, conscientemente, no objetivo. Neste momento
podemos comparar essas soluções com a luz solar - a luz para o desenvolvimento
da planta passa a ser vista como uma "luz" nos pensamentos para chegarmos
à uma solução em nosso processo criativo.
Neste
momento já temos um ambiente aconchegante, regamos todos os dias e deixamos a
semente relaxar curtindo a luz do sol para contribuir em seu crescimento. Tendo
dito isso, poderíamos dizer que neste momento nossa planta já está bem
desenvolvida? Não, não podemos. Mesmo seguindo cada etapa até aqui não é
garantido que tenhamos obtido sucesso. Tenhamos como exemplo o feijão plantado
por mim: depois de todo o processo, meus feijões não passaram de sementes
dentro de um copo com algodão e água. Como eu poderia explicar essa falha? Ao
observar todo o processo, percebi que precisaria de um momento de avaliação. Eu
já havia cumprido cada etapa até aqui, entretanto, não obtive sucesso. Seria
necessário voltar algumas etapas e realizar o processo novamente desde o
início, porém buscando alternativas que me levassem a um caminho diferente.
Não
me permiti desistir. Eu não havia fracassado, de forma alguma. Me pus a pensar
que descobri uma nova maneira de como não se plantar um feijão. Desta vez
decidi plantá-lo com um pouco menos de algodão, talvez aquela camada extra por
cima tenha sufocado minhas sementes. Assim como em alguns casos, uma pessoa
criativa se sinta sufocada num ambiente que para as outras seria um ambiente de
conforto. Somos indivíduos diferentes e funcionamos de formas diferentes.
Na
segunda tentativa, ao segundo dia já pude notar a diferença. Os grãos que antes
estavam inibidos, presos debaixo daquele algodão grosso que forrava o fundo do
copo, agora já estavam dando um sinal de reação. A segunda alternativa tinha se
encaixado melhor na minha experiência. E dessa vez obtive sucesso com o
experimento, minhas sementes haviam germinado e se adaptado melhor nessas condições e reagiram da
forma esperada atendendo a minha necessidade inicial que era uma tarefa muito
simples: plantar um pé de feijão.
Rodrigo Marinho

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