Iniciei
o trabalho com um desenho (baseado em uma foto) em que registrei o feijão
brotando, com cerca de três dias desde o plantio.
Em
seguida, criei um conto inspirado em romances policiais. "O Assassinato no
jardim", narra a tragédia que envolve a morte do novo morador do jardim
além de outros mistérios.
O
Assassinato no Jardim
Era
uma tarde tipicamente comum para o mês de março, quando aconteceu. A Samambaia
dançava alegremente ao som doce das melodias entoadas pelos pássaros que por
ali passavam, a bela Orquídea exibia suas pétalas coloridas banhadas pela luz
do crepúsculo, enquanto as pequenas Violetas tagarelavam sem parar sobre os
mais variados assuntos do jardim.
Foi
durante uma estranha discussão a respeito das raízes aparentes da orquídea, que
as jovens flores se sobressaltaram ao se deparar com aquela cena. Era algo
chocante de se ver em um ambiente sempre tranquilo e alegre. Um momento de
tensão fez com que todo o jardim se calasse completamente.
Em
um pequeno jarro de plástico negro, jazia o corpo inerte do mais jovem morador
do jardim. Havia pouco, fora plantado em um pedaço de algodão, sob a forma de
uma pequena semente, e em alguns dias já estava tão crescido que mal se
sustentava sem apoio. Seu acelerado crescimento despertou interesse de todos do
jardim, contudo, ninguém poderia imaginar o que viera a seguir.
A
Orquídea entregou-se aos prantos próximo ao Feijão falecido. As Violetas
aquiesceram completamente (algo raro para essa espécie), e a Samambaia
recolheu-se pesarosa. Por uns instantes o jardim perdera a cor. A alegria que
envolvia as plantas fora substituída pelo desalento do luto.
Com
o passar dos instantes o cinza transformou-se em um suave desbotamento, e o
jardim retomava pouco a pouco às suas cores habituais. Até que em dado momento
uma jovem Laranjeira analisou com clareza a situação e constatou que se tratava
de um assassinato!
-
Ora! Do que está falando! Esse é o jardim mais tranquilo que conheci! Vivemos
em paz desde que cheguei aqui, antes mesmo de qualquer um de vocês existir! –
Falou a sábia Samambaia.
-
Nunca consideramos sequer a possibilidade de um crime como este! Mas, parece
que os tempos mudaram! – Retrucou a Laranjeira.
Neste
momento a Orquídea desmaiou. As Violetas começaram a falar freneticamente,
compensando o tempo que haviam passado em silêncio.
-
Tem um assassino entre nós!
-
O que faremos?
-
Já sei quem pode ser!
-
Que o jardineiro nos proteja!
-
Tomarei a frente desta investigação! É preciso identificar o quanto antes o
assassino para que outros não venham a perecer sob suas folhas! – Disse
conformada a Laranjeira.
-
Eu apoio! – Disse a Samambaia.
-
Por que ela? – Questionou a Orquídea que havia acordado a tempo de ouvir a
Laranjeira.
-
É! Por que ela? – As Violetas seguiram em coro.
-
Por que ela não é parcial como você! – Disse à Orquídea - Além de não se meter
na vida de todos! – Este foi um dos raros momentos que as Violetas não tiveram
resposta - Então está decidido! Voltem todos a seus afazeres que a Laranjeira
cuidará desta situação!
Mais
tarde naquele mesmo dia, a Samambaia teve uma conversa com a Laranjeira,
admitiu estar preocupada com o bem-estar de todos, e por esse motivo, confessou
ter visto a Orquídea e o Feijão brigando dias antes. Afinal, a Orquídea estava
cega de inveja, pois Feijão roubara a atenção de todos, que era antes dedicada
às suas pétalas.
***
Os
dias se passaram e o jardim voltara às suas atividades comuns, a morte precoce
do Feijão parecia distante, e como mais nada acontecera até então o lugar
voltava ao normal. Porém, em dada noite, as flores acordaram com gritos de uma
das Violetas.
-
Socorro!!! Ele atacou de novo! O assassino!
Todos
foram atentos em direção aos gritos.
Dessa
vez, a vítima fora uma pequena Violeta, uma florzinha quase imperceptível em
meio a suas irmãs tagarelas. Em seus últimos dias ficara reclusa e
monossilábica.
-
Ela estava quieta ultimamente. – Falou uma de suas irmãs. – Devia saber de
alguma coisa!
E
novamente todas começaram a falar ao mesmo tempo.
A
Laranjeira intensificou a investigação, certificou-se da cena do crime e
interrogou todas as plantas. A Orquídea admitiu ter culpado a Violeta pela
morte do Feijão. E no geral, todas as outras plantas estavam eufóricas,
querendo justiça. Concordaram então em expulsar a Orquídea do jardim.
No
dia marcado para o exílio da Orquídea, todos estavam felizes em ver que a
justiça seria feita, e por isso falavam sem parar. A pobre Orquídea murcha,
encontrava-se jogada em um canto, às lágrimas. A beleza e a vitalidade que a
acompanhava, agora não passava de uma lembrança. Sabia que era vaidosa e
egocêntrica, mas não achava que merecia aquilo!
Quando
estavam prestes a mandar a Orquídea para outro jardim, a Laranjeira chegou.
-
Parem!
Todos
olharam assustados.
-
O que houve? Mais alguém foi morto?
-
Não! Vocês estão culpando a planta errada!
-
O que? Mas ela admitiu ter brigado com o feijão!
-
E com a Violeta!
-
Sim! Ela realmente fez isso! Mas não foi ela quem os matou!
-
Quem pode ter sido então?
-
Após intensa investigação eu cheguei ao verdadeiro culpado. Era alguém
sobretudo muito inteligente! Conseguiu driblar as atenções durante um bom
tempo, até que outra planta descobriu! Ela não podia revelar o assassino, por
isso foi morta! Ela sabia, a violeta, e tentou nos avisar... sua briga com a
Orquídea foi planejada, para desviar a atenção e incriminar outra planta!
Todos
ouviam atentamente as palavras da Laranjeira.
-
Não pode ver seu espaço roubado. Sabia que o Feijão precisaria de mais terra
para crescer, e recusou-se perante a ideia de perder parte de seu território...
nunca pensei que pudesse fazer isso! Ela, que era vista como anciã, a portadora
da sabedoria do Jardim!
Nesse
instante todos entenderam. O olhar geral pousou na grande Samambaia, que estava
furiosa ao ser descoberta.
-
Portanto, devemos reconsiderar esse exílio, agora que já sabemos que é a
culpada!
E
assim foi feito! A Samambaia foi devidamente deportada para outro jardim, onde
precisou disputar espaço com outras de sua espécie. A Orquídea aos poucos
recuperou-se de toda a situação, e o jardim voltou a resplandecer alegria,
agora com novas plantas se juntando a cada nova estação.
FIM!
Aluna:
Júlia Machado
Disciplina:
Inovação e Criatividade

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