6.6.17

Atividade 14 - Feijão

Iniciei o trabalho com um desenho (baseado em uma foto) em que registrei o feijão brotando, com cerca de três dias desde o plantio.
Em seguida, criei um conto inspirado em romances policiais. "O Assassinato no jardim", narra a tragédia que envolve a morte do novo morador do jardim além de outros mistérios.


O Assassinato no Jardim

Era uma tarde tipicamente comum para o mês de março, quando aconteceu. A Samambaia dançava alegremente ao som doce das melodias entoadas pelos pássaros que por ali passavam, a bela Orquídea exibia suas pétalas coloridas banhadas pela luz do crepúsculo, enquanto as pequenas Violetas tagarelavam sem parar sobre os mais variados assuntos do jardim.
Foi durante uma estranha discussão a respeito das raízes aparentes da orquídea, que as jovens flores se sobressaltaram ao se deparar com aquela cena. Era algo chocante de se ver em um ambiente sempre tranquilo e alegre. Um momento de tensão fez com que todo o jardim se calasse completamente.
Em um pequeno jarro de plástico negro, jazia o corpo inerte do mais jovem morador do jardim. Havia pouco, fora plantado em um pedaço de algodão, sob a forma de uma pequena semente, e em alguns dias já estava tão crescido que mal se sustentava sem apoio. Seu acelerado crescimento despertou interesse de todos do jardim, contudo, ninguém poderia imaginar o que viera a seguir.
A Orquídea entregou-se aos prantos próximo ao Feijão falecido. As Violetas aquiesceram completamente (algo raro para essa espécie), e a Samambaia recolheu-se pesarosa. Por uns instantes o jardim perdera a cor. A alegria que envolvia as plantas fora substituída pelo desalento do luto.
Com o passar dos instantes o cinza transformou-se em um suave desbotamento, e o jardim retomava pouco a pouco às suas cores habituais. Até que em dado momento uma jovem Laranjeira analisou com clareza a situação e constatou que se tratava de um assassinato!
- Ora! Do que está falando! Esse é o jardim mais tranquilo que conheci! Vivemos em paz desde que cheguei aqui, antes mesmo de qualquer um de vocês existir! – Falou a sábia Samambaia.
- Nunca consideramos sequer a possibilidade de um crime como este! Mas, parece que os tempos mudaram! – Retrucou a Laranjeira.
Neste momento a Orquídea desmaiou. As Violetas começaram a falar freneticamente, compensando o tempo que haviam passado em silêncio.
- Tem um assassino entre nós!
- O que faremos?
- Já sei quem pode ser!
- Que o jardineiro nos proteja!
- Tomarei a frente desta investigação! É preciso identificar o quanto antes o assassino para que outros não venham a perecer sob suas folhas! – Disse conformada a Laranjeira.
- Eu apoio! – Disse a Samambaia.
- Por que ela? – Questionou a Orquídea que havia acordado a tempo de ouvir a Laranjeira.
- É! Por que ela? – As Violetas seguiram em coro.
- Por que ela não é parcial como você! – Disse à Orquídea - Além de não se meter na vida de todos! – Este foi um dos raros momentos que as Violetas não tiveram resposta - Então está decidido! Voltem todos a seus afazeres que a Laranjeira cuidará desta situação!
Mais tarde naquele mesmo dia, a Samambaia teve uma conversa com a Laranjeira, admitiu estar preocupada com o bem-estar de todos, e por esse motivo, confessou ter visto a Orquídea e o Feijão brigando dias antes. Afinal, a Orquídea estava cega de inveja, pois Feijão roubara a atenção de todos, que era antes dedicada às suas pétalas.
***
Os dias se passaram e o jardim voltara às suas atividades comuns, a morte precoce do Feijão parecia distante, e como mais nada acontecera até então o lugar voltava ao normal. Porém, em dada noite, as flores acordaram com gritos de uma das Violetas.
- Socorro!!! Ele atacou de novo! O assassino!
Todos foram atentos em direção aos gritos.
Dessa vez, a vítima fora uma pequena Violeta, uma florzinha quase imperceptível em meio a suas irmãs tagarelas. Em seus últimos dias ficara reclusa e monossilábica.
- Ela estava quieta ultimamente. – Falou uma de suas irmãs. – Devia saber de alguma coisa!
E novamente todas começaram a falar ao mesmo tempo.
A Laranjeira intensificou a investigação, certificou-se da cena do crime e interrogou todas as plantas. A Orquídea admitiu ter culpado a Violeta pela morte do Feijão. E no geral, todas as outras plantas estavam eufóricas, querendo justiça. Concordaram então em expulsar a Orquídea do jardim.
No dia marcado para o exílio da Orquídea, todos estavam felizes em ver que a justiça seria feita, e por isso falavam sem parar. A pobre Orquídea murcha, encontrava-se jogada em um canto, às lágrimas. A beleza e a vitalidade que a acompanhava, agora não passava de uma lembrança. Sabia que era vaidosa e egocêntrica, mas não achava que merecia aquilo!
Quando estavam prestes a mandar a Orquídea para outro jardim, a Laranjeira chegou.
- Parem!
Todos olharam assustados.
- O que houve? Mais alguém foi morto?
- Não! Vocês estão culpando a planta errada!
- O que? Mas ela admitiu ter brigado com o feijão!
- E com a Violeta!
- Sim! Ela realmente fez isso! Mas não foi ela quem os matou!
- Quem pode ter sido então?
- Após intensa investigação eu cheguei ao verdadeiro culpado. Era alguém sobretudo muito inteligente! Conseguiu driblar as atenções durante um bom tempo, até que outra planta descobriu! Ela não podia revelar o assassino, por isso foi morta! Ela sabia, a violeta, e tentou nos avisar... sua briga com a Orquídea foi planejada, para desviar a atenção e incriminar outra planta!
Todos ouviam atentamente as palavras da Laranjeira.
- Não pode ver seu espaço roubado. Sabia que o Feijão precisaria de mais terra para crescer, e recusou-se perante a ideia de perder parte de seu território... nunca pensei que pudesse fazer isso! Ela, que era vista como anciã, a portadora da sabedoria do Jardim!
Nesse instante todos entenderam. O olhar geral pousou na grande Samambaia, que estava furiosa ao ser descoberta.
- Portanto, devemos reconsiderar esse exílio, agora que já sabemos que é a culpada!
E assim foi feito! A Samambaia foi devidamente deportada para outro jardim, onde precisou disputar espaço com outras de sua espécie. A Orquídea aos poucos recuperou-se de toda a situação, e o jardim voltou a resplandecer alegria, agora com novas plantas se juntando a cada nova estação.

FIM!

Aluna: Júlia Machado
Disciplina: Inovação e Criatividade


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