9.3.17

A inexistente inerência da criatividade enquanto mito

Quando Ashton afirma que criar não é magia e que o desenvolvimento da criação não é algo fluído e ligeiro, mas sim um processo, onde se tem etapas, falhas e triunfos, faz com que compreendamos que a “criatividade” — aqui entendida enquanto mito — não é intrínseco, nascida em poucos que, futuramente, terão sucesso na vida.
É, como diz o autor, pouco glamouroso acreditar que toda grande invenção ou obra de arte foi criada a partir de um processo árduo, e não em momentos de solitude, observando um belo pôr do Sol. Para além, afirmar que a “criação [não é magia;] é trabalho”, o autor coloca as pessoas em equidade — deixa de existir o “criativo” e o “não criativo” —, onde os sujeitos podem ser criadores de novas formas e possibilidades em suas áreas de atuação — seja no social ou no profissional.
Aqui a palavra-chave seria “processo”, como já repetido diversas vezes, pois assim como Mozart não criava uma sinfonia em uma ou duas horas de caminhada quando deveria estar dormindo, um iPhone (em produto final) também não foi inventado por Jobs durante uma viagem de carro para visitar a família.
As falhas são parte do processo, assim como também o é o sucesso. Na verdade, são a partir das falhas — de notas que não harmonizam, de parágrafos que não estão suficientemente bem escritos, de problemas em sistemas — que o sucesso se apresenta.


Sara Aguiar

Nenhum comentário:

Postar um comentário